Chegou o Carnaval: mais folia e mais resíduos. Vamos fazer nossa parte?

Publicado em 6 de Fevereiro de 2018

O problema acontece ao longo de todo o ano, mas o período de festas aumenta o volume de resíduos gerados e acende o alerta: é preciso mudar! No artigo de hoje o consultor Alexandre Meza fala sobre os impactos da falta de investimento em novas tecnologias para gestão de resíduos.

gestão de resíduos no carnaval

A chegada do Carnaval é sinônimo de descanso e folia para a maior parcela da população brasileira. No entanto, por trás de confetes e serpentinas existe uma realidade bastante impactante para o meio ambiente e a sociedade: o crescimento do volume de resíduos gerados com a grande concentração de pessoas durante as festividades.

Assim como qualquer outra época festiva, é normal que aconteçam aumentos na geração de resíduos em blocos, bailes, festas e estabelecimentos de atendimento ao público, como bares, restaurantes e casas noturnas. No entanto, para o especialista em desenvolvimento sustentável, Alexandre Meza, esse é um problema que não restringe apenas aos períodos de concentração de massas. Ao contrário, é uma realidade com que precisamos conviver diariamente e para a qual poucos estão direcionando olhares atentos.

“Vamos gerar resíduos a vida toda, não existe magia. E se a economia cresce, os resíduos crescem com ela. Hoje já registramos uma média de geração de resíduo próxima de 1 quilo/dia por pessoa, sendo ½ kg reciclável e que hoje não sabemos onde vai parar. Não existe uma infraestrutura por parte do governo ou mesmo das empresas privadas que tem por obrigação legal fazer o recolhimento de itens para reciclagem.

Com isso, temos uma realidade em que o resíduo sólido passa por uma crise violenta no mundo todo. Não há mais espaço físico para descarte. A queima e a incineração são válidas, mas não são o melhor caminho porque também geram um resíduo final que precisa ser alocado. Por que não recuperar o resíduo e gerar a economia circular, em que todos se beneficiam na cadeia de reaproveitamento?”

Meza acredita a falta de infraestrutura, conhecimento e educação são as principais vertentes para o problema. “Em época festivas, muitas vezes não há lixeiras ou coletores o suficiente e os mesmo não são esvaziados em tempo hábil, gerando as montanhas de lixo e resíduos que vemos acumulados pelas ruas. Também não há depósitos indicativos para cada tipo de material estimulando a separação de resíduos e a falta de orientação da população piora ainda mais a situação”, comenta, ressaltando ainda que a maior parte da população com faixa etária acima dos 40 anos nunca teve uma aula ambiental na vida ou estudou os problemas relacionados aos resíduos gerados pelo mundo. Por consequência, o reflexo da falta de iniciativa e conhecimento gera impactos no meio ambiente, saúde da população e na economia pública. “Quando o aterro esgotar, as companhias de coleta e o governo levarão os resíduos para locais mais distantes e o preço disso será pago pela população, direto no bolso do contribuinte. Ou seja, participamos diretamente de um sistema falido e ineficiente que gera mais problemas do que soluções, mas ninguém vê.”

Definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema de saúde pública, o resíduo gera doenças, incêndios e grandes impactos ambienteis com os processos de coleta (de barulho à gases emitidos pelas frotas). E para Meza, sem investimentos em tecnologia para coleta e gestão de resíduos, o problema nunca vai acabar. Mais do que simplesmente realizar os processos de coleta e conscientização da população, é preciso monitorar a cadeia dos resíduos como um todo. “Hoje você compra uma embalagem produzida a partir do reflorestamento, mas sua destinação é ser enterrada em um aterro sanitário porque não há rastreamento de seu ciclo de vida. Ou seja, não volta para a economia e nem gera emprego e rende de forma digna e constante”.

Para mudar essa realidade, Meza propõe que a adoção de práticas que valorizem a economia circular é o caminho mais assertivo na busca pela transformação. O rastreamento de uma embalagem desde sua produção até seu retorno para reciclagem formam uma garantia do papel legal das empresas produtoras e reduzem o impacto para a geração de resíduos.

Novos negócios podem surgir para fomentar a cadeia de resíduos, mas não de forma paternalista como as cooperativas. E sim um mercado profissional, com alta tecnologia, eficiente e onde todos na cadeia sejam valorizados e reconhecidos, desde quem faz a entrega certa até a empresa que captou suas embalagens e não manteve seu destino incerto ou desconhecido”.

Neste sentido, a falta de participação dos grandes investidores também pode ser consequência do desconhecimento. Por não participarem do processo da gestão do seu próprio resíduos, muitas vezes eles não têm nem mesmo a dimensão das quantidades de resíduo geradas diariamente e ainda não sofreram os impactos diretos de uma doença ou economia no bolso. Mas existem iniciativas que lutam diariamente para mostrar a verdadeira face de um grande problema social que permanece oculto, enquanto o governo e as empresas de coleta permanecem com um único objetivo: se livrar do resíduo e continuar gerando dinheiro. “A grande diferença em transformar o padrão é que na economia circular todo mundo ganha, do começo ao fim da cadeia de resíduo. Já no modelo tradicional, apenas as prefeituras e empresas de coleta se beneficiam”, reforça Meza.

Consciente de seu papel, o consultor atua há mais de 10 anos com desenvolvimento sustentável e através da Biotera oferece tecnologia para sustentabilidade na forma de aplicativos que gerenciam requisitos obrigatórios de toda e qualquer empresa. A companhia, que atua no Brasil, México e Argentina, oferece orientação sobre as obrigações relacionadas ao meio ambiente, segurança das pessoas e responsabilidade ambiental. Entre os projetos apoiados pela empresa está o Reforme Gocil, que gera um ciclo de sustentabilidade completo com empregos e renda para todos os envolvidos.

E com total engajamento em mudar o cenário da cadeia de resíduos no Brasil, a Biotera já está trabalhando também com o desenvolvimento de um app para rastrear o resíduo desde sua geração até a destinação final, informando toda a cadeia sobre as etapas concluídas.

 

E o que você pode fazer para mudar essa realidade?

Mesmo com todos os desafios a serem enfrentados, é possível sim começar a fazer a diferença a partir de ações individuais, seja em épocas festivas ou não.

E a discussão a respeito do que podemos fazer durante o Carnaval começa com a seguinte reflexão: afinal, não fazemos a nossa parte porque não temos infraestrutura ou não temos infraestrutura por que não fazemos nossa parte?

Precisamos ser mais conscientes a respeito de nossos descartes de resíduos e cobrar a infraestrutura das autoridades. O primeiro passo é permanecer atento às próprias responsabilidades como cidadãos para com os resíduos gerados, descartando-os de acordo com cada tipo em seus depósitos e lixeira correspondentes e incentivando as pessoas próximas a fazerem o mesmo.

Não é porque o chão já está cheio de rejeitos e resíduos que você pode contribuir com mais um item fora do lugar. Este é exatamente o tipo de ação que nos leva à situação limite que estamos vivendo nos dias de hoje. É preciso mudar de postura, cobrar as pessoas ao seu redor e as autoridades, fazer parte do processo de transformação.

Pequenas atitudes podem gerar grandes reflexos pelos próximos anos. Eleger autoridades locais, como vereadores e prefeitos, atentos às causas sociais e ao problema dos resíduos também pode ser uma ação importante. O voto consciente começa não apenas fugindo das figuras de corrupção, mas escolhendo candidatos que estão preocupados em fazer a diferença e cobrando diariamente as autoridades pelos resultados após sua candidatura.

Além disso, consumir de forma sustentável e responsável faz parte do processo de engajamento individual para mudar esse quadro. Escolher estabelecimentos privados para consumo – como bares e restaurantes – que tenham um papel ambiental e social ativo pode ser outra alternativa. Muitas vezes o setor privado não faz uso das melhores alternativas para a gestão de resíduos e gera impactos ainda mais significativos no meio ambiente, que refletirão em prejuízos para a própria população.

A Eco Circuito está fazendo sua parte, trazendo para cozinhas profissionais uma alternativa que pode tornar a gestão de resíduos mais econômica e ambientalmente adequada para contribuir com este processo. E você?

 

 

alexandre meza

Sobre Alexandre Meza
Consultor e idealizador da Biotera, Alexandre tem mais de 10 anos de experiência na criação e gestão estratégica de produtos e negócios para o desenvolvimento sustentável. Atua com a prestação de serviços em sustentabilidade com foco no meio ambiente e segurança e saúde do trabalho, integrando soluções para apoiar o funcionamento e gestão das organizações.

Saiba mais: http://biotera.net.br/

 

Letícia Spinardi 9 de Fevereiro de 2018