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PGRS: ferramenta primordial para o reaproveitamento de resíduos

Publicado em 2 de março de 2018

De acordo com o levantamento da Cal Recycle de 2014, apenas 3,7% do total de resíduos de alimentos são reaproveitados em processos de compostagem e biodigestão na Califórnia. Assim como no Brasil, o envio para aterros ainda é a principal alternativa utilizada. Falta gestão, segregação e destinação!

reaproveitamento de resíduos

Em 2014 a Cal Recyle (California Department of Resources Recycling and Recovery) realizou um estudo para identificar as taxas de geração e destinação de resíduos no estado.

De acordo com os resultados, 25% do volume total destinados para aterros são resíduos de alimentos. Se separarmos estes dados por setor, essa taxa sobe para 50,8% em restaurantes, 32% no setor hoteleiro e 33,8% no escolar. Processos de compostagem ou biodigestão são aplicados em apenas 3,7% do total de resíduos de alimentos gerados, um desempenho pífio pelas fontes geradoras, deixando de lado um enorme potencial de reaproveitamento via biodigestão, recuperação energética ou compostagem desta matéria prima.

Do total de resíduos de alimentos gerados enviados para aterros no estado, 32% são gerados por restaurantes, enquanto realizam compostagem e biodigestão em apenas 9% do volume gerado, item para o qual outros setores têm índices ainda piores. Por outro lado, os restaurantes são responsáveis por 72% do volume de compostagem e biodigestão entre todos os setores, liderando os índices de reaproveitamento de resíduos de alimentos, que conta ainda com 4% de participação do setor escolar, 3% do hospitalar e apenas 1% do setor hoteleiro.

Se estamos falando desses índices para o estado da Califórnia, que faz parte de um país caracteristicamente de primeiro mundo, como estarão esses mesmos números no Brasil?

De acordo com a ABRELPE, 50% dos resíduos sólidos urbanos (RSU) são orgânicos, boa parte deste são resíduos de alimentos, e não há informações disponíveis a nível setorial. Além do desafio do aumento do volume de resíduos enviados aos aterros, e a crescente movimentação para redução de áreas para descarte de RSU, há um fator essencial para assegurar um maior reaproveitamento de resíduos, como explica Alexandre Meza, especialista em desenvolvimento sustentável e gestor da Biotera.

Criar um Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) traz benefícios operacionais na redução de custos, atendimento as exigências legais, premissas produtivas e necessidades comerciais, além da integração da cadeia completa de resíduos. Além disso, possibilita a efetiva criação e implementação da economia circular, condição essencial para que o resíduo tenha o impacto sócio-ambiental esperado, criando oportunidade de emprego e renda para os envolvidos na cadeia de forma digna, honesta e constante.

Como, então, driblar os desafios para a gestão de resíduos?

O primeiro passo para transformar o engajamento com foco no reaproveitamento de resíduos de alimentos é mudar o mindset dentro das cozinhas profissionais. Tudo começa com a redução do desperdício, desde o início do processo. E neste artigo a consultora e mentora de gastronomia, Ana Rita Barros Cohen, traz algumas dicas exclusivas para economizar e valorizar mais os alimentos.

A geração de resíduos, no entanto, é quase inevitável durante o processo de produção. E aí entra em ação a segunda e mais importante etapa para a redução do volume de descarte aos aterros: os processos de reaproveitamento e a criação dos programas de gerenciamento. Para isso, uma boa conscientização e engajamento dos colaboradores, e avaliação do processo produtivo irá assegurar a identificação e tipificação de resíduos, segregação e respectiva destinação.

Alexandre afirma que a adoção do conceito da ECCC (Economia Circular, Compartilhada e Criativa) pode ser fundamental para mudar a realidade na geração de resíduos de um país. Pensando nisso, a Biotera utiliza o conceito de sustentabilidade para “atender as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de atender as suas“.

É o equilíbrio entre os recursos humanos (P-People), os recursos ambientais (P-Planet) e os recursos financeiros (P-Profit), tornando o 3P (tripleP) o vetor que impulsionará a nova ordem econômica e política às organizações.

O especialista ressalta que, apesar de muitas empresas ainda desconsiderarem esse fato, os cuidados com a geração e destinação de resíduos são leis. Podemos citar, por exemplo, o artigo 33 da Lei 12.305/2010, itens I a VI, inclusive o inciso 1o,  DECRETO Nº 9.177, DE 23 DE OUTUBRO DE 2017, no seu artigo Art. 2º e § 1º, que colocam uma responsabilidade no processo de reaproveitamento dos resíduos. “Contar com um PGRS ajuda a empresa a atender inúmeros requisitos legais, como a logística reversa, a análise de ciclo de vida dos produtos e a geração de emprego e renda.

Por isso, para assegurar a rastreabilidade e destinação adequada dos resíduos gerados, indicadores de desempenho e planos de melhoria dentro e fora das instalações, o PGRS deve ser gerenciado e acompanhado com apoio de uma empresa especializada, sobretudo por ser um processo contínuo, para assim evitar “mutirões” de limpeza para atender temporariamente uma demanda “acumulada” ou “ignorada” pela organização.

O PGRS não é um apenas um documento em papel. São processos e procedimentos muito bem definidos, identificados, diagnosticados e analisados de acordo com o que precisa ser cumprido pelo perfil da organização, incluindo planos de metas de redução e melhoria, treinamento, métricas e indicadores.

Alexandre ressalta que o PGRS não substitui os fornecedores de serviços para esse fim, mas sim homologa-os e adequa-os para atender condições socioambientais ideais e tornar sua operação mais eficiente.

O resíduo (e sua gestão) não pode ser mais tratado com uma operação marginal, de desconhecimento, deixado nas mãos de profissionais com pouco conhecimento legal, técnico, científico ou ainda, sem alocação de budget e sem busca de melhorias contínuas. Se há produção, há resíduo. A vida toda. E ao criar a retenção de conhecimento corporativo, participativo e uma educação ambiental integrada em que todos os participantes levarão também essa conscientização para suas residências, a qualidade de vida de todos estará assegurada, inclusive a da pessoa jurídica.

E quais são nossas alternativas?

Para resíduos de alimentos, nosso índice de reaproveitamento no Brasil é insignificativo, apesar de operações isoladas de compostagem e biodigestão. Recentemente publicamos um artigo em nosso blog sobre a importância de revolucionar a gestão de resíduos nas cozinhas profissionais, citando algumas alternativas para essa transformação.

No meio urbano, a destinação e valorização de resíduos de alimentos encontra na compostagem uma das possibilidades. O problema é que essa alternativa ainda atua de modo isolado e esbarra em desafios operacionais, limitações de infraestrutura, dificuldades de logística e custos operacionais com energia, mão de obra e materiais. Produzir “adubo” por meio de processo de compostagem acaba se tornando mais custoso e trabalhoso do que a alternativa convencional dos lixões e aterros.

Mas existe um outro caminho que vem despontando com uma tecnologia promissora para a atividade em cozinhas profissionais: o uso de biodigestores.

Esse dispositivo otimiza o processo natural de decomposição de frutas, legumes, verduras e proteínas com uso da água e microrganismos, gerando a partir dos resíduos de alimentos um efluente a ser descartado pelo ralo ou direcionado à uma ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) local, produzindo água de reuso. O efluente gerado pelo biodigestor pode, então, ser inserido em novos processos de reaproveitamento ou produção, viabilizando a economia circular no funcionamento do processo.

Essa alternativa elimina o envio de resíduos de alimentos a aterros por sua operação, com um consumo de energia por quilo processado 85% menor em comparação com as composteiras elétricas convencionais, sem contar diversos benefícios operacionais para seu dia a dia.

Retomando o exemplo da Califórnia, destacamos dois casos de sucesso no setor hoteleiro em que os benefícios dessa alternativa foram comprovados: Marriott e Hyatt ampliam lucratividade com tecnologia para gestão de resíduos

Se a sua empresa ainda não conta com um programa para reaproveitamento e valorização de resíduos, entre em contato com a Biotera e a Eco Circuito para entender como é possível criar uma alternativa sustentável e econômica de gestão, e faça parte da construção de índices muito melhores para sua operação e nossa sociedade.

 

alexandre meza

Sobre Alexandre Meza
Consultor e idealizador da Biotera, Alexandre tem mais de 10 anos de experiência na criação e gestão estratégica de produtos e negócios para o desenvolvimento sustentável. Atua com a prestação de serviços em sustentabilidade com foco no meio ambiente e segurança e saúde do trabalho, integrando soluções para apoiar o funcionamento e gestão das organizações.

Saiba mais: http://biotera.net.br/

 

 

Letícia Spinardi 31 de agosto de 2018

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